Há quem faça anos.
O Salgado faz um Festival.
Vem aí a 13.ª edição da icónica festa O Salgado Faz Anos Fest,
a festa de anos que já virou festival,
e que acontece todos os anos em Janeiro, no espaço cultural Maus Hábitos,
como que a dar o pontapé de saída para um resto de ano musical em grande.
No centro de tudo está Luís Salgado,
programador musical dos Maus Hábitos, que há uns anos atrás foi desafiado,
em jeito de brincadeira,
a festejar os seus anos ali nos Maus Hábitos com um grupo de bandas amigas.
A festa foi tão boa, que nunca mais parou, e virou – Festival.
Um festival a que já ninguém quer faltar,
e que coloca a cena musical do Porto nos radares de todos os festivais de bandas portuguesas,
tanto emergentes como consagradas.
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Ainda antes de sábado, fui conversar um pouco com o próprio Salgado.
Pode ler aqui, a entrevista.
A conversa aconteceu, naturalmente, nos Maus Hábitos.
O Salgado Faz Anos Fest
I – As pessoas vêm à festa mais pela música e pelos concertos, ou para te dar os parabéns?
(risos)
Ao fim das primeiras duas horas, já ninguém se lembra que eu faço anos…..
Mas há 3 tipos de pessoas que vêm a esta festa:
a) as que vêm pela música e pelos concertos, e muitas delas naturalmente são meus amigos, mas como disse, a partir do meio da noite já ninguém me dá os parabéns….
b) as que vêm sem qualquer controlo meu, vêm pela festa, pela música e por ser no local que é, e onde sabem que vão encontrar pessoas com quem estão só uma vez por ano, vêm para estar entre amigos, com amigos.
c) como ao longo do tempo este evento se foi tornando um evento importante da indústria musical, há quem venha para fazer networking, há os curadores de outros festivais que vêm para perceber se fazem outro festival, há quem venha procurar bandas para contratar…..
II – Há pessoas que vêm à festa e não sabem que se está a festejar os teus anos?
Aconteceu no início.
Ouvi uma vez um grupo de amigos a dizer” mas o Salgado não existe, é um nome que eles inventaram para ter piada….”
Acho que agora já toda a gente sabe.

III – O cartaz reflete o teu gosto musical, ou antes o que achas que vai resultar melhor e que vai ao encontro dos gostos do público?
O cartaz de O Salgado Faz Anos Fest coincide com o meu gosto pessoal, são bandas que escolho porque gosto, o line-up resulta de um apanhado do que eu ouvi de melhor no ano anterior.
Já como programador dos Maus Hábitos, ao longo do ano, nem sempre acontecem serem as minhas escolhas pessoais.
IV – É um Line-up muito virado para dar a conhecer bandas emergentes e jovens?
Um misto.
Diria que 70% são bandas emergentes, e uma fatia mais pequena com bandas veteranas.
V – Quem está a envelhecer melhor? O Salgado ou o Festival? Será que fazer este festival é um bocado para esquecer o peso da idade?
Eu estou a envelhecer bem . (risos).
Posso dizer que a maior parte dos meus amigos são jovens, tenho poucos amigos da minha idade.
A minha profissão faz-me lidar diariamente com pessoas muito jovens, não sinto o peso da idade.
A idade traz coisas boas, o fator tempo é muito importante.
Se não tivesse a idade que tenho, não conseguiria fazer as coisas como faço, é tudo fruto do tempo e de muitas aprendizagens.
Tenho muito mais facilidade agora em fazer triagens de qualidade, e de gerir melhor a minha rede de contactos.
O Festival também está a envelhecer bem.
Já vai na 13.ª edição, com lotações sempre esgotadas.
VI – Lembras-te muito bem da 1.ª edição?
Claro que sim.
Foi uma edição que aconteceu por carolice, um desafio de amigos, para que eu comemorasse de forma mais espalhafatosa os meus anos. Foi uma festa pequena, só com bandas amigas, vieram 12 bandas, cerca de 400 pessoas, e nem sequer se cobraram entradas.
Eu não era ainda o programador dos Maus Hábitos, vim trabalhar para aqui por causa dessa festa.
VII – Alguma edição que tenha sido caótica, que tenha corrido menos bem?
Sim, a segunda.
Foi o caos total, porque ninguém estava à espera da enchente que foi, ninguém estava preparado.
A partir do terceiro ano, foi quando disse que queria fazer as coisas bem feitas, que organizei uma equipa, que foi tudo pensado para se Fazer Bem Feito.
VIII – Mas há sempre momentos de muita enchente todos os anos e eu diria que de “algum caos” instalado, nada de grave, um caos divertido, mas tens noção disso?
Sim, claro.
E por isso se garante que haja sempre duas salas com algo a acontecer, para se evitar os corredores cheios de gente, para que as pessoas possam circular com mais facilidade.
E já há um limite de entradas mais limitado.
IX – Algum ano te passou pela cabeça não realizar o festival? Que não te apetecesse?
Não.
O único ano em que não houve festival foi no ano do Covid e fiquei bastante triste.
Já pensei, isso sim, em talvez alargar o festival, quem sabe a mais um dia, quem sabe a outras salas…..
X – Mas o Maus Hábitos é e será sempre a casa de O Salgado Faz Anos Fest?
A minha primeira festa de anos foi anterior a eu trabalhar nos Maus Hábitos, mas foi aqui onde tudo começou, e penso que este festival tem este carisma também por ser aqui.
Para já não sinto necessidade de fazer a festa num outro lugar, a não ser, como falado em cima, se um ano resolver alargar para outros locais….

XI- Todos estes anos de festa/festival o que te ensinaram?
A minha formação é em música, eu sou músico, e tenho bandas desde os 14 anos.
Mas a programação musical começou com isto, com este festival. Aprendi muito em termos de curadoria, aprendi a fazer comunicação, e , muito importante, aprendi sobretudo, o que não fazer.
Já como programador nos Maus Hábitos, aprendi a ler os públicos, porque o Maus Hábitos é muito mais eclético, o Festival O SFAF é mais de nicho.
XII – O que gostavas que as pessoas sentissem quando vêm ao SFAF?
Gostava que sentissem que são elas próprias a fazerem anos, e que a festa é delas!
XIII – Quem gostavas de ter cá e ainda não tiveste?
Os Mão Morta.
Já tentei, mas é difícil….
Ainda não perdi a esperança.
Eles vêm, mas como público.
Já como público tem acontecido o contrário: pessoas que vêm e que são surpresa, no ano passado por exemplo o Tim dos Xutos, o Miguel Ângelo dos Delfins, o Tom Barman dos dEUS….
XIV – E há alguém que vem sempre, todo os anos, certo?
Sim, O Samuel Úria, vem atuar desde a terceira edição.
Antes, vinha como público, mas eu desafiei-o.
É aquele que vem mas que nunca se diz o nome.
XV – É este ano que vai haver Bolo?
Não há bolo, nem nunca haverá. Não gosto.
Nem gosto de surpresas, nem que me cantem os parabéns…..
XVI- Quem é o Luís Salgado fora do Festival, ou nos outros meses do ano? Podemos saber algumas curiosidades?
Eu sou músico, e vivo a pensar em música desde que acordo até que me deito. O meu dia-a-dia é todo à volta disso.
Tenho duas bandas, a Stereoboy , uma banda mais experimental, e mais recentemente, a Faca_Cega, uma banda mais indie-rock.
XVII – Em relação ao Porto, como está o Porto em termos musicais?
O Porto é a cidade que tem os melhores sítios/venues para se tocar.
Há muitos locais conhecidos, mas também locais mais underground, e que são muito bons.
O Porto está efervescente a nível musical.
XVIII – Podes revelar alguns locais dos teus favoritos, no Porto?
O Ferro Bar, a Socorro…., os Maus Hábitos claro.
só consigo pensar em locais musicais…, desculpa. (risos).
Mas também gosto muito dos Jardins do Palácio de Cristal, e de Serralves.
XIX – Para terminar, se o Salgado Faz Anos Fest tivesse um Lema, qual seria?
Tivemos um que usámos muito tempo que é “Parece que ainda está Vivo”.
XX – E um desejo para esta edição ?
Que não chova.
Não pode chover.
Aliás, nunca choveu, eu tenho um acordo com o S. Pedro.
Obrigada!!
Vamos ter fé nisso, (que no sábado não vai chover! )

NOTA:
Bilhetes quase esgotados, e já só vendidos à porta.
Mas não há desculpas, não se pode faltar a esta Festa.
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O Salgado Faz Anos Fest
31.01.2026
Maus Hábitos
Rua de Passos Manuel 178, 4º Piso
4000 – 382 Porto
Entrevista e Fotos :
Paula Calheiros / Viver o Porto
Veja a minha reportagem sobre a edição 2024 de O Salgado Faz Anos Fest









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