Ode: tributo, hino, homenagem
E o ODE Porto é tudo isso:
um enorme tributo e hino à cidade do Porto, que é onde o ODE tem lugar, bem ali no coração da Ribeira, mas também um “hino à Mãe e à Avó de Cristóvão de Oliveira e Souza, fundador do Ode, “um tributo a todos aqueles que cozinham diariamente para os seus entes queridos”, e “uma homenagem a todos os que o visitam”.
E que bem “homenageada” me senti, quando ali estive para um almoço de Apresentação do programa de celebração dos seus 15 anos, um marco que pretende celebrar o tempo e as conversas à volta da mesa, e que nos vai trazer, ao longo de um ano – entre Maio 2026 e Maio 2027 –
15 Jantares Vínicos exclusivos, com produtores nacionais,
e onde só se sentarão 15 comensais (incluindo os produtores),
numa mesa corrida e em noite de formato único.
Cristóvão de Oliveira e Souza
ODE Porto
O Vinho senta-se à Mesa
Mesmo que ainda não tenha ido ao ODE Porto, certamente conhece o local por ter passado por lá – é que este restaurante – que brinda a cozinha tradicional portuguesa – tem morada no Largo do Terreiro, ergue-se num edifício com cerca de 300 anos, e está ali desde 2011, ainda o tempo eram outros tempos, ainda a Ribeira era outra Ribeira, ainda o Porto parecia outro Porto.
15 anos volvidos, Cristóvão de Oliveira Souza – dono e alma do Ode – mantém o espaço à porta fechada, e mantém as regras que gosta de impor: (“ninguém come de chapéu; “o som dos telemóveis deve ser baixo”, “se não gostar do que está a comer por favor avise”,….., )
mas principalmente, e essencialmente, o ODE Porto continua a ser uma casa onde se come bem, e uma casa de paixão pelo vinho.
É que o ODE Porto nasceu por causa do vinho.
Com formação em agronomia e enologia, Cristóvão de Oliveira e Souza foi em tempos produtor e teve uma marca própria de vinho do Porto, (a Solene) e precisava de um espaço onde desse a provar esse vinho do Porto para saber se a produção era boa.
Mais tarde pôs a produção de parte e decidiu dedicar-se à restauração, e assim nasceu o ODE, mas a paixão pelo vinho permanece.
Na garrafeira do Ode Porto existem cerca de 600 referências vínicas, 400 nacionais, 150 internacionais e 98 da região de Champagne.
E quando nos sentamos à mesa no ODE, a primeira pergunta que Cristóvão faz questão de fazer é:
“Que tipo de vinho lhe apetece beber hoje?”
“A carta de vinhos só tem vinhos de que eu gosto, e é uma tentativa de ir buscar um espectro o mais alargado possível para cada estado psicológico em que as pessoas possam estar.
Não gosto de servir o mesmo vinho a mesas diferentes, porque cada caso é um caso, um casal numa mesa pode estar a celebrar algo, um casal noutra mesa pode estar a tentar resolver uma zanga…..
Tento sempre encontrar o vinho certo para aquela pessoa, naquele momento”Cristóvão de Oliveira e Souza
Gastronomia Tradicional Portuguesa
na foto, várias entradas, ostras, e o famoso bacalhau com arroz de coentros e berbigão
A Carta do ODE Porto é também uma ode à gastronomia portuguesa e à cozinha confecionada há gerações na família.
E os produtos procuram vir sempre de produção nacional e de excelência, sem artifícios.
O objetivo é trabalhar sabores reconhecíveis, com rigor, memória e produto.
A broa é de Avindes da padaria Climana, o pão é de fermentação lenta de uma padaria nas Antas, o azeite da Quinta do Noval, o presunto Pata Negra, a manteiga da Ilha Graciosa, ostras do rio Sado, sal de Tavira, arroz de um produtor da Eireira, queijos dos Açores, de Trás-os-Montes, da Serra…..
seleção de vinhos no dia do meu almoço de Apresentação
A experiência vínica que se vive no ODE Porto é peculiar.
Quando se proporciona, Cristóvão gosta de testar quem se senta à mesa, e faz o jogo da prova cega, não mostrando o que está a dar de beber, e vai perguntando se alguém acerta na região, na casta,…….
E asseguro que é sempre tão difícil de acertar, mesmo para enólogos experientes ….
Mas vigora sempre a premissa: se não gostar do que está a beber, troca-se.
“temos de aproveitar todas as oportunidades para mostrar o quão de bom se faz em Portugal”
Bróculo com leite de amêndoa e limão (opção de entrada vegetariana, deliciosa!), tripas à moda do porto, também de entrada, Costelinhas de Porco com arroz de fumeiro, Arroz de Polvo
Não há segredos de cozinha no ODE. Aliás, Cristóvão – que é um bom conversador – fala muito, gosta de contar histórias, perde-se no tempo e nas explicações, garante:
aqui não há segredos:
“As tripas à moda do Porto servimos de entrada, em tachos pequeninos, e para não assustar quem não conhece bem este prato, cortamos os estômagos da vaca em brunesa, para reduzir o impacto visual. É a fórmula de sucesso para os tachinhos voltarem sempre vazios à cozinha.
As costelinhas de porco – o prato de carne best-seller – são cozinhadas por 16 horas em bom tempero.
O polvo não pode ser cozido com água em ebulição, é cozido inteiro e lavado, temperado com louro, cebola, ramo de cheiros, depois vai à grelha, o arroz de polvo é de estrugido com muita cebola…., a salada de alface é temperada com limão, azeite, sal e alho francês triturado”
Os queijos requerem também outro momento solene, vêm apresentados num pequeno antigo móvel lavatório de madeira e servidos em cima de um prato de vidro com o desenho de Portugal, para termos a certeza da região que estamos a saborear.
E depois,
o Pudim da Avó Dulce
É o pudim que já vem da sua Bisavó e que havia em todas as festas de família. Agora é a mãe de Cristóvão, Maria Flávia de Souza, que o faz, mas só quando o pode fazer, por norma duas vezes por semana, mas o lema é “há quando há”.
É um pudim de amor e carinho, feito de aproveitamentos, com o que houver.
Leva pão, leite, vinho do Porto,….
…..uma verdadeira perfeição e delícia
Uma Ode a momentos destes
Maria Flávia Souza irrompe pela sala para explicar o pudim, traz um papel com as palavras alinhadas, lê o que tem escrito numa serenidade e voz carinhosa, os olhos sorridentes, e eu quase lhe senti o coração a pulsar, da alegria de fazer história e de fazer parte da história da casa do filho.
Maria Flávia de Souza
Lá fora,
o reboliço da Ribeira,
agora tão tumultuosa e cheia de turistas,
mas ali dentro do ODE e da sala de paredes de pedra parece que o tempo permanece no tempo certo, no tempo dos laços de família, no tempo de um Porto que carrega sempre tanta emoção, no tempo das alegrias à volta de uma mesa.
vistas da janela do ODE Porto
Também uma ode ao que se faz devagar, escrever à mão, oferecer um pouco de quem escreve…..
e uma ode a tudo o que é bonito, ….a pequenos prazeres.
ODE Porto | 15 Anos |
Os 15 jantares Vínicos
(de Maio 2026 a Maio 2027)
Serão então 15 jantares com produtores vínicos nacionais (14 com produtores nacionais, das regiões do Douro, Bairrada, Dão, Lisboa, Alentejo, Açores, Madeira) sendo apenas o último com um produtor da região de Champagne), a acontecer em datas não rígidas e estando apenas os primeiros 3 já agendados:
21 de Maio – Anselmo Marques | 18 de Junho – Symington | 24 de Julho – Alves de Sousa
15 lugares disponíveis, menu de 6 momentos ( + harmonização) e sempre irrepetível.
€150.00 / pessoa
“dar a provar vinhos raros, inéditos ou colheitas muito antigas, e ao mesmo tempo a possibilidade de se privar com os próprios responsáveis e enólogos. Tudo a acontecer numa mesa corrida, entre as 19h30 e as 23h. “
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Para além destes Jantares Vínicos, mais uma novidade no ODE:
brevemente a abertura, mesmo ali ao lado, de um Bar de Bolhas, – o Brut Society – com espumantes nacionais, champanhes, ostras, batatas fritas, tremoços, caviar, amêndoas salgadas da Torre de Moncorvo, Cecina e queijos…..
Tanta coisa boa e borbulhante,
para tentarmos voltar a desfrutar do coração da Ribeira!
ODE Porto
Largo do Terreiro, 7
4050-269 Porto
T: +351 913 200 010
Preço médio jantar normal: €60,00
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