Ibis de Norte a Sul | Ode ao Porto

Home/Ibis de Norte a Sul | Ode ao Porto

Ibis de Norte a Sul | Ode ao Porto

Ode ao Porto
“E chegada ao cimo das Fontainhas vislumbro de novo a beleza do Porto, num olhar embevecido e na constatação de como uma cidade nos pode conquistar por si só: 
pela sua luz e mistério, pela sua energia, pelo seu rio e pontes, pelo pôr do sol a bater na linha do horizonte, pelo granito que emana dos dias cinzentos, pela imensidão do mar, pelos sorrisos das suas gentes….”
excerto de um texto que escrevi para o passatempo Ibis de Norte a Sul.
“arriving at the top of Fontainhas I can see again the beauty of Porto, certain how a city can conquer us by its own:
by its light and mystery, by its river and bridges, by its sunset touching the horizont line, by its grey days, by the immensity of the sea, by the smiles of its people….”

small passage of a text I wrote for a contest Ibis de Norte a Sul.

Ode ao Porto

Ibis de Norte a Sul

PT
A cadeia Ibis / Accor Hotéis desafiou 10 bloggers portugueses a participar num passatempo, escrevendo sobre a sua cidade portuguesa de eleição.
como é óbvio, para mim não foi difícil escolher 🙂

Um texto escrito com o outono como pano de fundo, (foi escrito no outono…) mas em que a estação do ano, na exaltação ao Porto, é simplesmente um pormenor…..
Em cada estação o Porto tem o seu esplendor .

Ibis de Norte a Sul

EN
Hotel Chain Ibis / Accor Hotels invited 10 portuguese bloggers to take part in a contest where each one should write about her favourite portuguese city.
Obviously for me it was not difficult to choose 🙂

The text is written with the autumn as background (as it was written in the autumn), but I guess the years season can be just a detail.
In each different season Porto reaches its splendor.

ODE AO PORTO

Está um dia lindo de outono, um dia de outono frio aguerrido, mas em que o sol se anuncia sorridente.
E eu também sorrio: o Porto sabe receber tão bem o Outono…..
“não posso deixar o dia ir embora, tenho de o ir viver, lá fora”….
digo para mim própria e não perco muito tempo.
Entre os beijos atirados a quem fica por casa, a escolha de uma roupa quentinha e uma mochila onde não faltam a câmara, baterias e cartões extra, faço-me ao vento e ao sol e aos tons de outono que se entranham na cidade.
E pedalo.
Poderia dizer que pedalo sem rumo, mas há lugares inevitáveis que me colam a eles.
Como o primeiro lugar por onde passo: o Parque da Cidade. Deixo-me invadir pela energia do verde e do castanho das folhas espalhadas pelo chão, e pelo respirar de calma que o Parque me transmite.
“Bom dia”, diz entre sorrisos e cumprimentos tímidos quem também por lá passa, como num cruzar de empatias, ou de vivências que merecem ser partilhadas.
Acelero a minha pedalada – a descida que antecede a visão do mar e do Castelo do Queijo enche-me de adrenalina.
Não consigo nunca deixar de pensar na maravilha de cidade em que vivo!
Qual outra cidade do mundo tem um parque da cidade que abraça o mar?
Continuo, sigo em direção à Foz, sempre com o mar ao lado.
Há ondas de espuma branca a baterem já fortes e a resvalar o Molhe, não resisto a parar para uma ou outra fotografia…
A Foz, a elegante Foz….
Deslizo pela pérgola do Molhe como se o simples facto de passar pela Foz e pelas suas avenidas me fizessem também a mim ficar mais elegante…. Ilusões….
Antes de parar para o primeiro café da viagem ainda fotografo o Farol de Felgueiras e os pescadores.
Uma zona onde a calma invade o tempo com uma cana de pesca na mão, e onde o barulho do mar se entranha nessa calma revestida de ondulação.
É com a visão do marégrafo da Foz do Douro que páro para o primeiro café.
Ali a olhar as gaivotas e quase com os pés no rio, sereno…. Um bom lugar para nos apaixonarmos pela cidade.
Continuo.
Pedalo ao longo do rio, a neblina encanta a visão das pontes, e os elétricos ora amarelos ora castanhos quase seguem comigo.
Pelo caminho emaranho-me na envolvência do Fluvial só para mais umas fotografias – é que aí, o arvoredo e o Outono atingem um enorme charme……
Volto para a marginal.
Passo por baixo da primeira ponte, a da Arrábida, tão bonita e imponente, deslumbro-me de novo com as vistas… parece que faço parte de um postal.
Em Miragaia resolvo estacionar.
Prendo a bicicleta em local seguro e deambulo por entre ruelas e escadarias que vão dar a casas com roupa pendurada nas janelas e cafés com varandas onde, numa das varandas se pode ouvir jazz enquanto se bebe um copo de vinho, ou noutra se pode comer pão artesanal mergulhado em azeite.
É aqui do alto de uma destas varandas a ver o rio e os telhados, e as gaivotas e as claraboias, que descanso um pouco, e me volto a apaixonar….
Retomo a subida até ao Jardim das Virtudes, não há Porto que se viva sem uma ida a estes jardins, e estavam quase ali….
Finalmente desço.
A bicicleta lá está fiel, à minha espera.
Segue-se a Ribeira, como num emaranhado de pessoas e turistas, entre os barcos rabelos e a outra margem, e a Ponte Luís I que deixo para trás.
O meu destino é mais à frente, quero ir até às Fontainhas, onde, quem ainda não se apaixonou pelo Porto, aqui sucumbirá, certamente.
Sendo impossível de pedalar até lá ao alto, subo a Calçada das Carquejeiras com a bicicleta pela mão.
Uma subida custosa, sim, mas que vale o esforço.
E chegada ao cimo das Fontainhas vislumbro de novo a beleza do Porto, num olhar embevecido e na constatação de como uma cidade nos pode conquistar por si só:
pela sua luz e mistério, pela sua energia, pelo seu rio e pontes, pelo pôr do sol a bater na linha do horizonte, pelo granito que emana dos dias cinzentos, pela imensidão do mar, pelos sorrisos das suas gentes….
É Outono no Porto. E no Outono as cidades renovam-se e as paixões intensificam-se.
Enquanto pedalo da Foz às Fontainhas, ou das Fontainhas à Foz, ou simplesmente, por aí, sinto a cidade como minha, nessa intensa forma de pertença que me faz vibrar e exaltar. Não sei que rasto eu deixo pela cidade, nem se a cidade sente a minha devoção. Sei apenas que me entrego às ruas e aos lugares com um enorme sorriso e com uma paixão que deixo transbordar em forma de blog.
A minha forma de Viver o Porto.
*english translation soon.

Vem para o Porto ou vai viajar? | Are you coming to Porto or travelling around?
Planeie a sua viagem | Plan your trip

By | 2019-07-13T14:10:17+00:00 June 25th, 2019|streets & places|0 Comments

Leave A Comment