Porto Photo Fest – an interview with Cradoc Bagshaw

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Porto Photo Fest – an interview with Cradoc Bagshaw

 

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O Porto Photography Festival (Porto Photo Fest) é um festival  inteiramente dedicado à fotografia e a sua primeira edição vai acontecer no Porto,
já em Setembro próximo (11-17 Setembro).
O evento contará com diversos workshops e masterclasses, e terá como convidados nomes sonantes da fotografia internacional e nacional.
Conclusão: apaixonados por fotografia não podem, mesmo, perder este evento!

Cradoc Bagshaw é um dos fotógrafos internacionais convidados e já passou pelo Porto antes do evento, e não é que já se apaixonou (quem não se apaixona??) pela nossa cidade, tanto, ao ponto de já ter decidido ficar por cá a morar?? Eu acho fantástico !

EN
Porto Photography Festival (Porto Photo Fest) is a festival totally dedicated to photography and its first edition will take place in Porto,
coming September (11-17 September).
The event will have several workshops and masterclasses, and international and national well known photographers will be guest.
Conclusion: photography lovers, you will not want to miss this event!

Cradoc Bagshaw is one of the invited international photographers and has already come to Porto to know the city before the event, and imagine he has already fallen in love with it (who doesn’t??) and even decided to come and live here!! Isn’t this amazing?

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PT
Tive a oportunidade de me encontrar com o Cradoc Bagshaw para algumas perguntas, e a conversa fluiu, claro está, sobre fotografia, o Porto, e o Porto Photo Fest.
O encontro teve lugar na bonita Mercearia das Flores, em plena Rua das  Flores, e connosco também estiveram presentes a sua atual mulher, Therese Bagshaw, escritora, e Anna Gunn, inglesa a morar no Porto e organizadora do Porto Photo Fest. Partilho mais em baixo a entrevista.

 

EN
I had the opportunity to meet Cradoc Bagshaw, and conversation was of course about photography, Porto, and the coming event Porto Photo Fest.
We met at the beautiful Mercearia das Flores, at Rua das Flores, and with us was his wife Therese – writer – and Anna Gunn, the organiser of Porto Photo Fest.
Below I share with you the interview.

 

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PT
Cradoc Bagshaw é um galardoado fotógrafo e fotojornalista internacional há cerca de 40 anos, tendo já colaborado com várias publicações,
entre as quais a Time, a Newsweek, a Forbes e o NY Times; é também professor de fotografia na Universidade de Nova York e
embaixador da Leica.
As suas fotografias são conhecidas por serem quase todas a preto e branco, e o fotojornalismo ou fotografia de rua é a sua área de atuação.

 

 

EN
Cradoc Bagshaw is an international awarded photographer and photojournalist for over 40 years, having worked for dozens of publications,
including Time, Newsweek, Forbes, NY Times;
he is is also a photography teacher at NY Universitity and he is a Leica ambassador. His pictures are essentially in black and white and photojournalism and streetphotography are his favourite themes.

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Porto Photo Fest – The interview with Cradoc Bagshaw

PT
Qual a sua primeira impressão sobre o Porto?

É uma cidade muito simpática e calorosa, onde as pessoas nos fazem sentir muito bem por cá. E é uma cidade que se vê que que tem história e que esta atravessa várias épocas, isso vê-se isso nos monumentos e nos vários edifícios espalhados pela cidade.

Acha que o Porto é uma cidade fotogénica?

Sem dúvida! O Porto tem um enorme potencial  fotográfico. Tem bastantes espaços de natureza, tem arquitetura muito rica, muitas ruas animadas, muitos mercadinhos e muita vida de café.
É uma cidade que ainda é muito genuína, ainda se nota que estamos na Europa. E como ainda há muita manufactura por cá, isso é sempre uma alternativa ao “made in China”, o que é muito bom.
Acima de tudo é uma cidade onde se nota que as pessoas são felizes.

“(O Porto) é  acima de tudo, uma cidade onde se nota que as pessoas são felizes” 

Quando começou a fotografar e qual foi a sua primeira câmara?

Comecei a fotografar com 12 anos, com uma câmara muito barata.
Aos 14 tive a minha primeira rolleiflex, e com 15 anos propus-me como fotógrafo a um jornal local, ao qual me responderam para voltar mais tarde, quando fosse mais velho.
Coincidentemente o Jornal viu-se subitamente sem o seu fotógrafo, e como precisavam desesperadamente de um, aceitaram-me para trabalhar no verão.

Aos 18 anos consegui comprar a minha primeira Leica M3, e aos 25 anos já vivia só da fotografia, se bem que a fotografia que eu realmente gostava – a preto e branco – não me pagava as contas todas, pelo que ao longo da vida fui obrigado a fazer vários trabalhos comerciais a cores (para revistas como a NY Times, entre outras), para ganhar dinheiro.

Com 39 anos passei por uma fase pessoal difícil – a minha mulher, com 41 anos, morria com cancro da mama – e foi uma altura em que repensei toda a minha vida.
Cheguei à conclusão de que o que realmente gostava de fazer era de fotografar a preto e branco e era isso que so queria fazer.
Viajei para a China, para fotografar pessoas, ainda o fazendo a cores, mas regressei com um trabalho rico de cerca de 5000 slides, os quais vendi  a uma agência em França,
e criei três programas fotográficos. Isso valeu-me um bom dinheiro e a partir daí nunca mais fotografei a cores.

EN
What is your first impression about Porto?

It is a gentle and welcoming city, where people make you feel great. It is a city where we can see and feel a lot of history, and looking at the different buildings and monuments we can see the presence of different eras.

Do you think Porto is a photogenic city?

Indeed it is. Porto has a great potential and photography is imminent. There is a lot of nature, rich architecture, wonderful streets and a lot of cafe life, as well as a lot of markets.
It is a city still so genuine, and we can feel we are in Europe.
There are still a lot of manufacturers here, which is good, and makes a difference to the “made in china”, which is so good.
We can feel that people are happy here.

“(Porto is) above all, a city where we can see people are happy.”

When did you start taking pictures, and which was your first camera?

I started taking pictures with the age of 12, with a very cheap camera.
At 14 I had my first rolleiflex, and with 15 years old I applied as a photographer to a local newspaper, but they told me to come later when older.
Coincidently the newspaper lost his photographer, and as they desperately needed one, they accepted me for the summer.
I took the pictures and i also developed them.

At 18 I could buy my first Leica M3, and at 25 I lived only on photography work. But – the kind of photography I really loved was black & white – and this could not pay me all bills – so I had to do a lot of commercial work in colour for some magazines (like New York Times, for example), to earn money.

At 39 I was having a difficult personal phase – my wife aged 41 died of breath cancer – and by that time I decided to rethink my life and got to the conclusion that what I really liked to do is to photograph in black&white.
I travelled to Chima to photograph people – and I still did it in colour – but came back with and immense and rich work of around 5000 slides that an agency in France brought me, and created 3 photography programmes, which made me earn some good money.
After that I never photographed colour again.

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Cradoc Bagshaw, Therese Bagshaw, Anna Gunn (Porto Photo Fest organizer)

PT
Já vi que continua a fotografar em analógico, e que não se rendeu ao digital. É fácil nos dias de hoje continuar a fotografar em analógico?

Eu se pudesse só fotografava em analógico. Conheço muito bons fotógrafos que passaram do analógico para o digital e noto que “algo” se perdeu….

 

Quando sai para a rua para fotografar, perde muito tempo à espera do momento perfeito,  ou já é uma questão de prática encontrar a altura certa para fotografar?

Muitas vezes vejo situações que acho que dali com certeza vai sair uma boa fotografia, então tento imiscuir-me na cena, e esperar pelo momento certo.
Outras vezes é mesmo uma questão de estar no sítio certo no memento certo e captar o momento.
Como fotografo com uma Leica, eu vejo o enquadramento exacto, e antes de fotografar tenho de saber exatamente o quero ter dentro desse enquadramento.
Quando fotografo pessoas tento sempre captar aquele momento antes que essas pessoas reajam à câmara.

 

Uma boa câmera faz a diferença?

Claro que sim, impossível dizer que não. São simplesmente ferramentas diferentes.

 

O que é para si uma boa fotografia?

Uma boa fotografia é aquela que consegue mostrar um relacionamento entre as pessoas, ou aquela onde se revela algo do próprio fotógrafo.
É ver algo através dos olhos de outra pessoa.
Se alguém não se esforçou para tirar a fotografia, por que me hei-de esforçar para vê-la??

“Se alguém não se esforçou para tirar uma fotografia, por que hei-de eu esforçar-me para vê-la?
Uma boa fotografia revela um pouco do seu fotógrafo, é ver algo através dos olhos de outra pessoa”

 

 

EN
I see you still photograph in analogue., and that you did not surrender to digital. How is it to use analogue nowadays?

If I could I would only photograph in analogue.
I know a lot of good photographers who left the analogue and started taking pictures only in digital, and I see “something” was lost….

 

When you go out to the streets to take pictures, do you waste a lot of time to catch the perfect moment, or it is a common sense now to find the best moment to photograph?

Most of the times I see situations that I know it will come a good picture from there.
So I try to go inside the scene and wait for the best moment. Other times it is a question of being at the right place and capture the moment.
As I photograph with a Leica, I see the frame, so I need to know what I want to have in that frame for the picture.
When I photograph people, I always try to capture that moment before they react to the camera.

 

A good camera makes the difference?

Yes, for sure. It is a question of having different tools.

 

What is for you a good picture?

A good picture is the one that can show you relationships between peole, or the one where I can take a sense of the photographer.
Is to see something through someone else’s eyes. If some does not make an effort to take a picture, why should I make an effort to see it?

 

“If someone did not make the effort to take a picture, why should I make the effort to see it?
A good picture is when I can get a sense of the photographer, is to see something through other’s eyes”

 

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Cradoc Bagshaw

 

About the Porto Photo Fest – the interview with Cradoc Bagshaw (cont.)

PT
O que acha do Porto Photo Fest? Ficou entusiasmado com o convite para participar?

Vai ser um evento fantástico. Há tanta e tanta coisa agora sobre fotografia, falam-se de tantas técnicas e de tantas modos de fotografar….,: …
o Festival estará aí para relembrar o que é a verdadeira fotografia, e para mostrar o que é verdadeiramente importante quando fotografamos.

O que poderemos esperar do seu workshop e da sua masterclass no Porto Photo Fest?

No meu workshop irei abordar como fotografar em analógico, quais as suas ferramentas, e irei encorajar os participantes a irem até onde puderem ir com essas ferramentas.
Não será um workshop técnico, mas sim uma parte do processo.

Na masterclass irei falar sobre os primeiros dias da fotografia, e mostrar um pouco o meu processo de fotografar e de escolher um portfolio.
Irei também falar de composição e tentar mostrar como os nossos olhos terão de ir para algum lugar antes de fotografarmos.
Um fotógrafo profissional e um fotógrafo amador vêem a mesma coisa, mas o fotógrafo profissional consegue organizar a fotografia.

“os nossos olhos terão de ir para algum lugar antes de fotografarmos”

EN
What do you think of Porto Photo Fest? Are you glad to participate?

It will be an exciting event! There is so much out now about photography and a lot of techniques and ways to photograph…; the Festival will be there to remind us of what is the real photography, and to show what is really important when we photograph.

What can we expect of your workshop and of your masterclass at Porto Photo Fest?

At my workshop i will talk about taking pictures with analogue tools. I will encourage the participants to go as far as they can.
It will not be a technical workshop, but a part of the process.

At the masterclass I will talk about early days in photography, I will show my process of taking pictures and how to choose a portfolio.
I will also talk about composition and try to show that our eyes must go somewhere before we take the picture.
A professional photographer and an amateur both see the same thing, but the professional organizes the picture.

“our eyes must go somewhere before we take the picture”

 

Thank you Cradoc Bagshaw!
We will meet again at the Porto Photo Fest, in September!

Porto Photo Fest
11 – 17 September 2017
Árvore Escola Artística e Profissional (home)
& Porto Historical Centre (workshops)
& Casa Diocesana do Porto (masterclasses)

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Will we me met there?

 

 

By | 2017-08-29T22:24:48+00:00 June 2nd, 2017|interviews|0 Comments

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